O deputado Marcelo Queiroz foi alvo da Polícia Federal nesta terça-feira (27). A ação integra a 2ª fase da Operação Castratio, que apura fraudes na castração animal.
Ex-secretário estadual de Agricultura, Queiroz é investigado por contratos que somam quase R$ 200 milhões. A PF aponta indícios de superfaturamento e fraude em licitações da pasta.
Os investigadores também analisam o patrimônio do parlamentar, que cresceu cerca de 665%. A polícia busca esclarecer se houve enriquecimento ilícito relacionado ao suposto esquema.
O deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB-RJ) voltou a ser alvo da Polícia Federal nesta terça-feira (27), na 2ª fase da Operação Castratio, que investiga suspeitas de irregularidades em contratos relacionados à castração de animais no Rio de Janeiro.
Além das suspeitas de irregularidades nos contratos, a evolução patrimonial do parlamentar chamou a atenção dos investigadores. Segundo a PF, o patrimônio declarado por Queiroz cresceu cerca de 665% nos últimos anos.
Esta é a segunda vez, em pouco mais de cinco meses, que o parlamentar entra na mira da operação. Na 1º fase, deflagrada em maio, a PF apreendeu o celular de Queiroz quando ele se preparava para embarcar no Aeroporto Santos Dumont, no Rio.
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A investigação apura suspeitas de peculato, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo contratos que chegam a quase R$ 200 milhões. Segundo a PF, há indícios de superfaturamento, direcionamento e fraude em licitações.
O g1 entrou contato com a assessoria do parlamentar e para a Câmara dos Deputados, mas ainda não obteve retorno.
Quem é Marcelo Queiroz
Nascido no Rio de Janeiro em 3 de novembro de 1984, Marcelo André Cid Heráclito do Porto Queiroz tem 41 anos. É advogado formado pela PUC-Rio, mestre em Economia pelo Ibmec-RJ e pós-graduado em Direito Fiscal pela PUC-Rio e em Gerência e Gestão de Projetos pela UFRJ.
Queiroz também estudou no Colégio Santo Inácio, no Rio, e cursou o programa Strengthening Political Youth Organizations, da Fundação Friedrich Naumann Stiftung, na Alemanha.
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Sua trajetória política começou na Câmara Municipal. Em 2012, foi eleito vereador do Rio de Janeiro. Entre 2015 e 2016, ocupou o cargo de secretário municipal de Administração.
Entre 2016 e 2017, ficou fora da política por problemas de saúde, período em que passou por hemodiálise e um transplante de rim. Após a recuperação, fundou uma organização de apoio a pacientes transplantados.
Em 2018, assumiu mandato de deputado estadual. Depois, na gestão de Marcelo Crivella, passou pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente do Rio e presidiu a Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente (Anamma Brasil).
Entre 2020 e 2022, entre a gestão Wilson Witzel/Cláudio Castro, Queiroz comandou a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento do Rio, pasta onde foram celebrados contratos que entraram na mira da Polícia Federal.
Nas eleições de 2022, foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro com 73.728 votos. Em 2024, ele se candidatou à Prefeitura do Rio e acabou ficou em 4º lugar com 74.996 votos. Ou seja, 2,44% dos válidos, na eleição vencida por Eduardo Paes (PSD).
Entre 2025 e 2026, na gestão de Eduardo Paes/Eduardo Cavaliere, Queiroz voltou a ocupar a Secretaria Municipal de Administração do Rio.
Depois, retomou o mandato de deputado federal para concorrer à reeleição. Ele acabou reeleito com 58.739 votos, o equivalente a 0,66% dos votos válidos no estado. Ele declarou R$ 8 milhões em bens à Justiça Eleitoral.
Causa animal
Ao longo da carreira, Queiroz fez da causa animal uma de suas principais bandeiras políticas. Ele se apresenta como idealizador de programas gratuitos de castração e vacinação de cães e gatos e afirma ter destinado recursos para políticas de proteção e bem-estar animal.
Esse vínculo com a pauta também aparece no centro das investigações da Operação Castratio.
Na primeira fase, a PF afirmou ter encontrado indícios de que o parlamentar teria se engajado na causa animal diante da possibilidade de obter benefícios políticos ou financeiros com os contratos investigados.
Um dos focos da apuração é a Consuvet, empresa responsável por serviços de castração de animais. Segundo informações da investigação divulgadas pelo g1, a empresa foi criada em julho de 2021, com capital social de R$ 20 mil, e, nos quatro meses seguintes, firmou contratos com a Secretaria de Agricultura que somavam mais de R$ 8,3 milhões.
Considerando contratos firmados até 2023, os valores ultrapassaram R$ 193 milhões, segundo decisão judicial citada na primeira fase da operação.
Patrimônio entrou na mira da PF
Além dos contratos, a Polícia Federal passou a analisar a evolução do patrimônio de Marcelo Queiroz.
Segundo a investigação, os bens declarados pelo parlamentar à Justiça Eleitoral tiveram crescimento de cerca de 665%. A evolução patrimonial passou a ser considerada pelos investigadores no contexto da apuração sobre o suposto esquema.
A PF busca esclarecer o papel de Queiroz no caso e investiga se houve enriquecimento ilícito relacionado aos contratos.




