A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou a mulher filmada fazendo uma saudação nazista no domingo (25): Erica Marques Pinho, de 46 anos.
A 10ª DP (Botafogo) agora tenta marcar o depoimento dela. O g1 a procurou e aguarda uma resposta.
O caso ocorreu no Colégio Santo Inácio, em Botafogo. O episódio foi registrado na delegacia do bairro como injúria e preconceito.
Ian Andrade, de 31 anos, gravou o gesto e questionou a eleitora. Um policial militar estava presente no local, mas não interveio na situação.
As imagens mostram a mulher caminhando pelo pátio com o braço direito erguido. Ela vestia uma camisa amarela e um boné de apoiadores de Donald Trump.
Em nota, a Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro repudiou o episódio. A entidade classificou o ato como uma manifestação inaceitável contra a democracia.
A Polícia Civil já ouviu testemunhas e identificou a mulher filmada fazendo uma saudação nazista após votar em uma zona eleitoral no Rio, neste domingo (25). Ela foi identificada como Erica Marques Pinho, de 46 anos.
O caso ocorreu no fim da manhã no Colégio Santo Inácio, em Botafogo, na Zona Sul, e foi registrado na delegacia do bairro como injúria e preconceito.
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A 10ª DP (Botafogo) já ouviu duas testemunhas. Agora, o objetivo é chamar Erica para prestar depoimento.
O g1 e a TV Globo entraram em contato com Erica e aguardam uma resposta.
Eleitor se sentiu ofendido
Ian Andrade, que é judeu e gravou o momento em que tudo aconteceu, descreveu sua reação:
“Eu não vou te falar medo, porque eu não tenho medo dessa gente, mas senti realmente um enjoo, um nojo.”
Ao gravar a cena, Ian Andrade questionou a mulher sobre o gesto. Segundo ele, uma amiga havia contado que a eleitora fizera a saudação na entrada do local.
Como não presenciou o primeiro episódio, ele decidiu esperar a mulher sair para verificar o que havia acontecido.
“Tenho 31 anos e nunca vivenciei isso na minha vida como judeu”, afirmou.
O episódio, segundo ele, provocou indignação também entre outras pessoas que estavam no local. Parte delas observou a discussão, enquanto outras pegaram os celulares para filmar.
Ian contou que estava usando uma camiseta branca, sem adesivos ou referências políticas, e que seguiria para um almoço de aniversário na casa da avó. Ele também afirmou que não percebeu nenhuma explicação da mulher para o gesto.
Registro na delegacia
De acordo com o entrevistado, um policial militar estava no local e presenciou a situação, mas não interveio. Ele acredita que o agente não tenha reconhecido a gravidade do gesto.
Depois que Erica deixou a zona eleitoral, caminhando em direção à Rua Dona Mariana, o homem conversou com outras pessoas e decidiu registrar uma ocorrência na delegacia. Ian explicou que anexou o vídeo ao registro.
Após a divulgação das imagens, ele disse ter recebido mensagens de apoio de amigos e de integrantes da comunidade judaica.
O homem espera que Erica seja responsabilizada e que o caso sirva de alerta contra manifestações de ódio.
“Eu acho que precisa servir de exemplo, que as pessoas entendam que esse tipo de coisa não dá para a pessoa achar que vai fazer isso na rua e vai sair impune”, afirmou.
Não se sabe como o bate-boca começou. O vídeo mostra a mulher cruzando o pátio da escola rumo à saída fazendo o gesto historicamente associado ao regime de Adolf Hitler — caracterizado por erguer o braço direito estendido para a frente e ligeiramente para cima, com a mão aberta e os dedos unidos.
A eleitora vestia uma camisa amarela da Seleção e um boné do "Maga", movimento de apoiadores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. "Maga" é uma sigla que remete à máxima “Make America Great Again”, ou “torne os Estados Unidos grandes novamente”, em tradução livre, um slogan popularizado na campanha presidencial de 2016.
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Nota da Fierj
Em nota, a Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj) manifestou repúdio ao episódio:
"Conforme relato recebido pela Federação, acompanhado de registro em vídeo, uma mulher teria realizado reiteradamente a saudação nazista, inclusive após ser questionada por cidadãos que presenciaram a cena. Ao ser informada de que um dos presentes era judeu, teria respondido: 'Pior ainda'.
Trata-se de uma manifestação absolutamente inaceitável, que ultrapassa os limites da liberdade de expressão e afronta os valores democráticos, a dignidade humana e a memória das milhões de vítimas do nazismo.
É especialmente grave que um episódio dessa natureza ocorra durante o exercício do voto, um dos símbolos mais importantes da democracia brasileira.
A FIERJ informa que o caso foi levado ao conhecimento das autoridades policiais e acompanhará sua apuração, cobrando a identificação dos responsáveis e a adoção das medidas legais cabíveis", diz a nota.
Contexto histórico
Depois que os nazistas chegaram ao poder, em 1933, a saudação passou a ser amplamente utilizada na Alemanha, inclusive em cerimônias oficiais e situações cotidianas. Geralmente era acompanhada da expressão “Heil Hitler”, ou “Salve Hitler”, em tradução livre.
O gesto se tornou um dos símbolos do regime nazista, responsável pelo Holocausto, o assassinato sistemático de cerca de 6 milhões de judeus, além da perseguição e morte de milhões de outras pessoas, durante o período em que Hitler esteve no poder, de 1933 a 1945.


